Documentário da HBO Max revela os perigos do parque aquático mais arriscado do mundo

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Entre as décadas de 1970 e 1990, um parque aquático em Nova Jersey, nos Estados Unidos, ganhou notoriedade internacional por seu histórico alarmante de acidentes e fatalidades. O Action Park, que operou por 18 verões a partir de 1978, ficou conhecido como o parque mais perigoso do mundo, acumulando seis mortes e centenas de feridos devido à falta de segurança em suas atrações.

O local recebeu o apelido irônico de “Parque da Tração”, em referência aos dispositivos médicos usados para tratar ossos quebrados — uma ocorrência frequente entre os frequentadores. Entre as atrações mais arriscadas, destacava-se o CannonBall Loop, um toboágua com looping que não contava com qualquer proteção adequada. Para testar o brinquedo, o proprietário Gene Mulvihill chegou a oferecer US$ 100 a voluntários, muitos dos quais saíram do teste com dentes quebrados.

Outra área problemática era a piscina de ondas, palco de múltiplos casos de afogamento. Ex-salva-vidas do parque relataram que o resgate de banhistas desacordados era uma rotina quase diária. O episódio mais trágico ocorreu em 1982, quando um visitante de 27 anos morreu eletrocutado no brinquedo Kayak Experience, devido a fios elétricos expostos em contato com a água.

A ausência de fiscalização adequada contribuiu para a longa permanência do parque em operação, que só foi encerrada em 1996 após uma série de processos judiciais e a falência do negócio. No total, além das seis mortes, o Action Park contabilizou mais de 30 traumatismos cranianos, centenas de fraturas e um número incontável de ações na Justiça.

A controversa trajetória do parque foi tema do documentário “Class Action Park”, lançado pela HBO Max em 2020. O filme expõe depoimentos de vítimas e ex-funcionários, além de revelar bastidores das decisões do fundador, que, em busca de experiências radicais, chegou a utilizar projetos rejeitados por outros grandes parques. O documentário também revela que Mulvihill criou uma seguradora fictícia no exterior para driblar exigências legais, emitindo apólices falsas até ser descoberto pelas autoridades.

Hoje, o antigo Action Park opera sob o nome Mountain Creek, seguindo rigorosas normas de segurança e sob constante fiscalização. O passado sombrio, porém, permanece como um lembrete das consequências da negligência em parques de diversão.