A polêmica em torno da trajetória de Michael Jackson (1958-2009) ganha destaque mais uma vez com a chegada da série documental “Michael Jackson: O Veredito”, que estreia nesta quarta-feira (3) na Netflix. Composta por três episódios de aproximadamente 50 minutos cada, a produção mergulha nos bastidores de um dos julgamentos criminais mais notórios dos anos 2000, trazendo novas perspectivas e depoimentos inéditos sobre o caso que marcou a carreira do Rei do Pop.
O documentário se propõe a analisar com profundidade o processo judicial enfrentado por Jackson em 2005, após investigações iniciadas dois anos antes. Em 2003, o cantor foi formalmente acusado de crimes como abuso sexual de menor, conduta imprópria e fornecimento de álcool a adolescentes. O caso teve início depois que a polícia cumpriu um mandado de busca em sua propriedade, o Rancho Neverland, na Califórnia, levando à detenção do astro e a uma série de acusações criminais – ao todo, dez diferentes imputações foram apresentadas.
Naquele período, a entrada de câmeras de TV no tribunal foi proibida, o que deixou muitos detalhes do julgamento restritos aos que acompanharam o caso de perto. A série busca justamente reconstruir esse ambiente, reunindo relatos de jurados, testemunhas, jornalistas que cobriram o processo no tribunal, além de advogados de acusação e defesa. Entre os entrevistados, estão nomes como Ron Zonen (promotor), Mark Geragos (advogado de defesa), Brian Oxman (representante da família Jackson), além de jurados e profissionais da imprensa internacional.
Apesar da ampla cobertura midiática e das acusações graves, o júri declarou Michael Jackson inocente em todas as dez acusações em 13 de junho de 2005, após uma semana de deliberações. O cantor sempre sustentou sua inocência e negou todas as alegações.
Antes mesmo do julgamento, um episódio emblemático ocorreu em novembro de 2003. Michael Jackson, na época em Las Vegas, se entregou à polícia de Santa Bárbara após ser alvo de um mandado de prisão por suspeita de abuso sexual contra um adolescente de 13 anos. O astro foi algemado assim que desembarcou na Califórnia e levado à delegacia sob intenso escrutínio da imprensa americana. Lá, passou pelos procedimentos padrão, como coleta de impressões digitais e fotos para o registro policial. Poucas horas depois, foi liberado mediante o pagamento de uma fiança de US$ 3 milhões. Na saída, Jackson, por meio de seus representantes, afirmou que as acusações eram falsas e prometeu lutar pela própria inocência.
A produção da Netflix ainda apresenta entrevistas exclusivas com figuras que vivenciaram o julgamento em diferentes posições, incluindo jurados como Melissa Herard e Tammy Evans, jornalistas renomados como Martin Bashir e Diane Dimond, além de pessoas próximas ao círculo pessoal e profissional de Michael Jackson, como o biógrafo J. Randy Taraborrelli e a assessora de imprensa Raymone Bain.
“Nosso intuito foi transportar o público para dentro do tribunal e ouvir quem realmente esteve lá, acompanhando cada detalhe”, ressalta o diretor Nick Green. A série promete lançar luz sobre um dos capítulos mais controversos da história recente da música pop, reconstituindo, com riqueza de detalhes, o julgamento que dividiu opiniões em todo o mundo.
