Filme mais aclamado pelos fãs de Harry Potter diverge da opinião da crítica; saiba o motivo

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Dentre as adaptações cinematográficas inspiradas em livros, poucas alcançaram o impacto da saga Harry Potter. No entanto, a opinião dos críticos nem sempre reflete o entusiasmo do público. Embora “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” (2011) lidere o ranking do Rotten Tomatoes com 96% de aprovação, é “O Prisioneiro de Azkaban” (2004) que permanece no imaginário de fãs como o ponto alto da série nas telonas.

A chegada do diretor Alfonso Cuarón ao comando do terceiro filme marcou uma virada fundamental na franquia. Após os dois primeiros longas dirigidos por Chris Columbus, Cuarón – cineasta mexicano premiado – imprimiu uma nova identidade visual à saga. Ele conseguiu equilibrar a magia característica das aventuras iniciais com um clima mais sombrio, que viria a dominar os capítulos seguintes. Esse trabalho resultou em uma transição natural entre a infância e a adolescência dos protagonistas, tema central do enredo.

A atmosfera de Hogwarts também mudou: o cenário ganhou traços góticos, a fotografia apostou em contrastes marcantes e a presença dos Dementadores trouxe uma sensação constante de ameaça. Ainda assim, o filme manteve o charme dos primeiros títulos, evitando rupturas bruscas no tom da narrativa. Neste momento da história, Harry Potter (Daniel Radcliffe) começa a enfrentar dilemas mais profundos sobre sua família e seu próprio crescimento.

Outro destaque da produção foi a liberdade criativa de Cuarón na adaptação do livro. Em vez de seguir à risca cada elemento da obra de J.K. Rowling, o diretor buscou transmitir sua essência. Cenas como o voo de Harry no dorso do hipogrifo Bicuço foram criadas ou reorganizadas para o cinema, reforçando a sensação de descoberta e amadurecimento vivida pelos personagens. Mesmo com mudanças importantes, o longa permaneceu fiel ao espírito do material original.

O trabalho de Cuarón recebeu elogios não só do público, mas também do elenco. Alan Rickman (1946-2016), intérprete de Severo Snape, registrou em seus diários que o diretor realizou um “trabalho extraordinário” e que cada quadro parecia obra de um artista. Tal reconhecimento evidencia como “O Prisioneiro de Azkaban” foi além do entretenimento, alcançando uma identidade cinematográfica própria.

Duas décadas após seu lançamento, o terceiro capítulo da série Harry Potter segue sendo referência em adaptações literárias para o cinema. A combinação de maturidade na narrativa, aprofundamento dos personagens e direção inovadora faz com que o filme seja considerado, por muitos fãs, o auge da franquia – mesmo que, nas avaliações oficiais, tenha ficado com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes. Toda a saga está disponível para streaming na HBO Max.