Aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance enfrenta obstáculos judiciais nos EUA
A tentativa de fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Skydance, avaliada em impressionantes US$ 111 bilhões (aproximadamente R$ 565 bilhões), está sob forte contestação na Justiça norte-americana. O movimento, que poderia resultar em uma das maiores conglomerados do entretenimento mundial, gerou reações imediatas de autoridades e sindicatos, preocupados com possíveis efeitos negativos à concorrência e ao mercado de trabalho do setor audiovisual.
Na última segunda-feira (13), um grupo formado por 12 procuradores-gerais democratas de diferentes estados americanos entrou com uma ação antitruste para impedir a conclusão do negócio. Liderada por Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, a coalizão argumenta que a fusão daria à empresa resultante um domínio excessivo em setores-chave, como a exibição cinematográfica e os canais de TV por assinatura. De acordo com o processo, a nova companhia poderia alcançar quase um terço do mercado de grandes lançamentos, conhecidos como “blockbusters”, ultrapassando o limite de 30% tradicionalmente visto pela Suprema Corte dos EUA como risco para a competitividade.
O litígio implica custos e riscos políticos significativos para os estados envolvidos. Normalmente, ações desse porte contam com o suporte do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), mas, desta vez, os procuradores estaduais atuam sozinhos, já que o órgão federal, durante o governo de Donald Trump, havia sinalizado apoio à transação. Apenas os custos jurídicos e com consultorias econômicas podem chegar a US$ 20 milhões (R$ 101,8 milhões). Antecipando a batalha, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, garantiu em orçamento extra de R$ 71,2 milhões, destinado especificamente a ações antitruste.
O contexto político também pesa sobre a disputa. David Ellison, presidente da Paramount, está à frente das negociações e conta com o apoio financeiro do pai, Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos principais doadores da campanha de reeleição de Donald Trump. O embate se tornou ainda mais emblemático, já que o governo federal é acusado por opositores de favorecer a concentração econômica.
Sindicato dos roteiristas amplia pressão contra fusão
Na terça-feira (14), o Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos (WGA), por meio das divisões WGA West e WGA East, ingressou com uma ação judicial própria na Corte Distrital do Norte da Califórnia. Diferente do processo dos procuradores estaduais, a entidade representa os trabalhadores do setor e alerta para os riscos que a fusão traria ao ambiente de trabalho. O sindicato destaca que a união prejudicaria a concorrência na contratação de roteiristas, resultando em salários menores, redução de vagas e condições contratuais menos favoráveis.
Michele Mulroney, presidente da WGA West, ressaltou que a empresa combinada se tornaria o maior comprador individual de conteúdo original nos EUA, o que poderia sufocar a diversidade de produções. Tom Fontana, presidente da WGA East, acrescentou que tal domínio prejudicaria a descoberta de novos talentos e a pluralidade de narrativas em Hollywood.
Paramount Skydance se defende e cita concorrência com gigantes da tecnologia
Em resposta às acusações, a Paramount Skydance afirma que as preocupações dos estados são baseadas em uma leitura equivocada das leis antitruste. A defesa, liderada por advogados renomados como Jeffrey Kessler, Eric Stock e Andrew Finch, sob coordenação do diretor jurídico Makan Delrahim, enfatiza que o mercado de entretenimento mudou e que hoje grandes empresas de tecnologia, como Netflix, Apple e Amazon, representam concorrentes diretas no setor audiovisual.
A companhia argumenta ainda que a fusão é vital para manter a competitividade global e promete que a nova estrutura permitirá um volume ainda maior de produções do que o alcançado separadamente pelas empresas. No entanto, sindicatos como o Hollywood Teamsters, liderado por Lindsay Dougherty, cobram garantias legais para que empregos e produções sejam mantidos, defendendo a aplicação de sanções caso as promessas não sejam cumpridas.
O desfecho da disputa segue indefinido, com o futuro da fusão dependendo agora das decisões judiciais e da capacidade das partes envolvidas de responder aos questionamentos levantados por autoridades e trabalhadores do setor.
