Filme Inspirado em Seita Real Estreia no Streaming Após Ficar de Fora do Oscar

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Depois de uma rápida e discreta trajetória nas salas de cinema, “O Testamento de Ann Lee” desembarcou esta semana no catálogo do Disney+. O longa, realizado pela Searchlight Pictures, braço da Disney, teve um desempenho modesto nas bilheteiras globais, arrecadando apenas US$ 4,19 milhões (cerca de R$ 21,1 milhões), mas conquistou reconhecimento tanto da crítica especializada quanto dos espectadores.

Inspirada em fatos verídicos, a produção é definida como um “épico histórico musical” e narra a vida de Ann Lee, interpretada por Amanda Seyfried, conhecida por seu trabalho em “A Empregada”. Ann Lee foi a fundadora dos Shakers, um movimento religioso do século XVIII cujos adeptos se destacavam por suas orações marcadas por cantos e danças vigorosas. O filme acompanha a protagonista desde sua infância difícil em Manchester, na Inglaterra, passando por experiências traumáticas, visões espirituais e perseguição em sua terra natal — incluindo períodos de internação e prisão. Perseguida, Ann Lee lidera seus seguidores em uma travessia rumo aos Estados Unidos, onde buscam construir uma comunidade baseada na fé, igualdade e isolamento social.

Com direção de Mona Fastvold, que também assina o roteiro ao lado de Brady Corbet, o longa mistura elementos de drama biográfico com números musicais pouco convencionais. As músicas tradicionais dos Shakers receberam nova roupagem sob a batuta do compositor Daniel Blumberg. O elenco conta ainda com Lewis Pullman no papel de William Lee, irmão de Ann, Christopher Abbott como o marido Abraham, e Thomasin McKenzie interpretando Mary, discípula e narradora da história.

A recepção do filme foi positiva: no Rotten Tomatoes, “O Testamento de Ann Lee” acumula 86% de aprovação da crítica, a partir de mais de 200 avaliações, e 81% do público. A revista Variety destacou a ousadia do projeto ao apostar no formato musical, descrevendo-o como uma obra emocionante e criativa, com coreografias que traduzem a busca pelo sagrado. O desempenho de Amanda Seyfried também foi amplamente elogiado, sendo apontado como carregado de intensidade e emoção.

Por outro lado, o The Hollywood Reporter adotou uma postura mais reservada, classificando o filme como um épico corajoso, porém mais admirável do que envolvente. Segundo a publicação, a produção é marcada por energia e espiritualidade, mas peca pela falta de maior aprofundamento na jornada pessoal da protagonista, resultando em um ritmo que pode parecer lento ao longo de suas 2 horas e 16 minutos.

Já o site Collider considerou o filme uma experiência cinematográfica singular, destacando o contraste entre o realismo da fotografia de William Rexer e o tom quase onírico das sequências musicais. Apesar de não ter conquistado indicações ao Oscar, o longa garantiu a Amanda Seyfried uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. Agora, com a chegada ao streaming, “O Testamento de Ann Lee” ganha uma nova chance de conquistar o público brasileiro.